Mulher mais velha do Espírito Santo é vacinada contra a Covid-19 aos 114 anos, em Barra de São Francisco

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Nascida em 15 de janeiro de 1907, Maria Rita Pereira é a primeira idosa da cidade de Barra de São Francisco a receber a vacina.

Aos 114 anos de vida, Maria Rita Pereira agora não só é dona do título de mulher mais velha do Espírito Santo, como também entra para a história como a primeira moradora da cidade de Barra de São Francisco, no Noroeste do estado, a ser imunizada contra a Covid-19.

A aplicação da dose da CoronaVac aconteceu na manhã desta quarta-feira (20), cinco dias após a centenária celebrar a chegada dos seus 114 anos.

Membros da Coordenação de Imunização da Prefeitura de Barra de São Francisco foram até a casa onde Maria Rita vive na companhia da filha, Zenilda Rita de Jesus, de 71 anos, para vaciná-la.

Do pequeno frasco vem também a expectativa de que, dentro de algum tempo, ela possa rever os velhos amigos da cidade onde vive há mais de 40 anos.

“Faz mais de um ano que ela não sai de casa. A gente levava ela na casa das amigas antigas para ela conversar, na casa dos vizinhos, ela tem vontade de vê-los. Ela sente falta, ela sempre pergunta”, disse a filha.

Segundo Zenilda, como ela e a mãe são idosas, sair de casa tem sido um momento raro desde que a pandemia do coronavírus começou.

As duas recebem ajuda da vizinha Josiane, que é quem sai para pagar as contas, receber os salários e realizar outras tarefas para as duas idosas.

Nascida em 15 de janeiro de 1907 na cidade de Mutum, em Minas Gerais, Maria Rita mudou-se para o Espírito Santo ainda jovem, com o marido e os três filhos mais velhos. No estado, teve outros três filhos e morou também em outras cidades, como Ecoporanga e Santa Tereza, até se estabelecer em Barra de São Francisco.

Com a morte do marido aos 40 anos de idade, Maria Rita passou a criar os filhos sozinha. E engana-se quem pensa que sua longevidade é fruto de uma vida de muito conforto. Para Zenilda, única filha viva da centenária, o segredo da mãe para viver tantos anos é justamente o oposto: está na simplicidade.

“Minha mãe trabalhou muito na roça capinando, plantando, roçando, serrando madeira para fazer tábua. A receita para ela viver tanto é que ela sempre comeu bem. Gosta de banha de porco, carne de porco, frutas”, elencou Zenilda.

À medida que os anos passaram, dona Maria Rita pôde ver a família chegar à sua sexta geração com um número de netos, bisnetos e tataranetos que a filha Zenilda diz já não conseguir mais contar. Somente ela, por exemplo, teve 12 filhos.

Para quem já vivenciou inúmeros acontecimentos históricos – entre eles, duas guerras mundiais, revoluções ao redor do mundo, a chegada do homem à lua e a explosão e o fim da gripe espanhola – agora dona Maria Rita pôde ver chegar à porta de sua casa a vacina que se tornou símbolo da esperança de dias melhores para toda a população ao redor do mundo.

“A gente pede a Deus que nos abençoe e que dê tudo certo”, finalizou Zenilda.

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