57 municípios capixabas não registraram mortes por Covid-19 na última semana, diz secretário

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Dos 78 municípios capixabas, 57 estão há mais de uma semana sem registrar mortes por causa da Covid-19. A informação foi divulgada pelo secretário da Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (5). A reportagem é de Any Cometti, G1 ES.

Além disso, outros 10 municípios poderão entrar para essa lista em breve. Entre eles, Vitória, que pode ser o primeiro município da Grande Vitória a compor o grupo se ficar mais dois dias sem nenhum óbito pela doença.

“Nós temos 57 municípios no nosso estado que estão há mais de sete dias sem óbitos, outros 10 municípios poderão entrar nessa lista se mantiverem sem óbitos. Nosso estado tem, sim, uma redução sustentada no número de óbitos, que é o que mais preocupa e é o que mais impacta na vida da sociedade”, explicou Nésio.

Para Nésio, o perfil das mortes causadas pela doença no estado sofreu uma mudança relevante. Enquanto no início da pandemia a maioria das mortes acontecia em hospitais públicos, agora o percentual é maior nos hospitais privados.

“É importante destacar que aconteceram mudanças importantes no óbito por Covid no Estado. No início da pandemia, 59% das mortes aconteceram nos hospitais públicos. Neste momento, 52% ocorrem na rede privada e filantrópica, contra 48% na rede pública”, explicou.

Também aumentou o tempo em que as pessoas ficam internadas nos hospitais antes de morrer. “Houve um aumento no tempo de internação dos pacientes. No início da pandemia, pacientes que evoluíram a óbito tinham um período mediano de 4 dias de internação. Hoje, isso se ampliou para 12 dias”.

A média de idade dos mortos pelo coronavírus também mudou, passando de 59 anos, no início da pandemia, para 65 atualmente, de acordo com o secretário.

Além disso, em todo o estado, houve uma queda de cerca de 5% no número de casos de Covid-19 entre os idosos, enquanto o percentual de pessoas com menos de 60 anos com a doença cresceu mais de 20%.

Já em relação à Grande Vitória isoladamente, o número de casos entre os maiores de 60 anos caiu 0,6% e os casos em pessoas com menos de 60 anos também tiveram uma redução, de 10%.

“Esse comportamento reflete uma mudança no padrão dos casos positivos que pode ter uma relação com a queda no número de pacientes internados e de óbitos. O que comprova que a Covid tem, sim, uma mortalidade maior em pessoas com mais de 60 anos”, concluiu Nésio.

Também presente na coletiva, o subsecretário de Vigilância Epidemiológica, Luiz Carlos Reblin, enfatizou que a maior circulação e aglomeração de pessoas durante o feriado de 7 de setembro contribuiu para o aumento no número de casos positivos da doença.

“Nas semanas subsequentes ao feriado, efetivamente tivemos um maior número de casos nas cidades em que observamos muitas aglomerações, nas regiões serranas e de praias. Mas que, felizmente, na terceira semana subsequente ao feriadão, tem sinais de queda”, ponderou Reblin.

“Nossa tendência da taxa de transmissão é novamente de redução nessa semana. Para manter a taxa baixa, é importante manter o distanciamento, utilizar a máscara e manter a higiene das mãos”, lembrou.

Nésio adiantou que a Matriz de Risco do Estado – que classifica a situação dos municípios em relação à doença – deverá ser alterada. No mapa de risco válido nesta semana, apenas dois municípios (Piúma e São José do Calçado) estão em risco moderado. Todos os outros estão classificados como risco baixo.

“Estamos preparando um conjunto de atualizações na nossa mudanças na Matriz de Risco, que vão rever medidas qualificadas para risco moderado e risco alto. Entendemos que ter alcançado o risco baixo foi uma conquista que precisa ser conservada e que depende de ações do poder público, das instituições e também das pessoas, da família e da sociedade”, disse o secretário.

Nesse caso, se algum município voltar a ter risco moderado para a Covid-19, regras mais duras serão aplicadas.

“Será oportuno, para evitar uma segunda onda, rever as medidas de risco moderado para que, se algum município voltar ao risco moderado, teremos restrições mais duras, exigências maiores de respeito aos protocolos para evitar a ocorrência de uma segunda grande onda no nosso Estado”.

Questionado a respeito do decreto que permite o retorno da frota de ônibus com ar-condicionado do sistema Transcol, e que também autoriza que os ônibus deixem os terminais com passageiros em pé, o subsecretário respondeu que foram consultadas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para definir esses parâmetros.

“A ABNT define que os ônibus, no projeto básico de funcionamento, podem ter até seis pessoas por metro quadrado viajando em pé. Partindo dessa regra geral, nós estabelecemos que, para este momento, duas pessoas por metro quadrado possam permanecer viajando em pé. É uma redução, de seis para dois passageiros, o que poderia trazer maior segurança. Já o uso de ar condicionado, o aparelho renova o ar, então é o mesmo sistema que nas lojas do comércio, por exemplo”, explicou.

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